segunda-feira, 11 de agosto de 2008

Dez anos

Posso me lembrar como se fosse ontem de quando o telefone tocou e da boca da minha mãe eu ouvi as palavras “vai ser hoje? Você já está indo para lá?”. Eu tinha apenas 12 anos na época, mas já entendi perfeitamente do que se tratava e em uma pequena confusão de sentimentos, pude senti as lágrimas rolando pelo meu rosto. Não chorava de tristeza. Era uma alegria tão simples e profunda que eu acho que jamais saberia expressar por palavras. Era hoje. Era hoje o dia em que minha irmã seria mãe e eu tia.

Corremos, corremos muito pelas ruas congestionadas. O caminho até a maternidade São Luiz nunca pareceu tão longo. Não tínhamos nada nas mãos, nem uma flor, nem um presente. Nada daquilo que planejavamos entregar à mãe e ao bebê quando os víssemos pela primeira vez. Mas, sem sabermos bem porque, nada disso parecia importar.

Quando passamos correndo pela porta de vidro na entrada do hospital, minha irmã já estava sendo preparada pelos médicos para a operação. Estava cuidando dos últimos detalhes antes daquele que seria o momento mais especial da sua vida até então. Minha mãe insistiu com as enfermeiras que precisava vê-la antes da cirurgia. Tanto insistiu que conseguiu. Eu esperei do lado de fora, mas mandei por ela o meu carinho e desejo de que tudo corresse muito bem.

Lembro da pequena sala com sofás de couro preto que ficamos esperando por notícias do nascimento. Lembro também quando toda a família se virou para ver o mais novo papai entrando ainda branco de susto para dizer que tudo tinha corrido bem. Contou que tinha quase desmaiado, mas que mãe e bebê estavam ótimos. Depois disso, revelou grande mistério do dia: era um menino. Era o Fernando. Até então, o sexo do bebê era um segredo que somente o médico do ultra-som poderia decifrar, mas que a mamãe de primeira viagem persistentemente se negou a desvendar.

Seis horas depois de chegar ao mundo, o Fê subiu ao quarto para a primeira mamada. Toda a família aguardava do lado de fora. Quando o vi pela primeira vez, um sentimento ainda maior tomou conta de mim. Ele era lindo, perfeito, era a criança mais graciosa que eu já tinha visto. Me lembro de olhar pelo vidro do berçário e pensar que era impressionante como todos os outros bebês ali deitadinhos eram pequenos, com cara de joelho, menos o meu sobrinho.

Não me recordo como voltei para casa, nem que horas saímos de lá. Hoje, quase dez anos depois, minha memória guardou somente as impressões mais intensas. Mas uma década é muito e não sei como esse tempo todo passou tão rápido. Ainda não consegui entender. Lembro que no dia em que ele nasceu eu pensei que quando eu fizesse 24 anos o Fê seria exatamente o que eu era naquele dia, ele teria 12 anos e saberia tudo que eu sabia. Mas essa data, que agora já está próxima, ainda parecia fazer parte de um futuro muito distante.

Amanhã é dia de festa: 10 anos do meu querido primeiro sobrinho. E quem sabe daqui a alguns meses eu não conto como, três anos depois, no dia 23 de novembro, chegaram outros dois novos membros da família Figueiredo Ponzini?!

Parabéns à Vera e ao Fê pela data. Doze de agosto é o dia do aniversário dos dois leoninos da família.

sábado, 2 de agosto de 2008

Sem palavras...

Eu cheguei para o show do Muse com altas expectativas. Cada uma delas foi superada!

Uns pequenos trechos para tentar explicar do que eu estou falando:

Knights of Cydonia

Primeirona!

Hysteria


Supermassive Black Hole

sábado, 26 de julho de 2008

Unexpectedly MUSE

É incrivel, mas a cada dia que passa eu chego novamente à uma mesma conclusão: as coisas que acontecem inesperadamente são as mais gostosas. Talvez se eu tivesse comprado o ingresso para ver o show do Muse logo no comecinho, estar com aquele pedaço de papel nas mãos não teria o mesmo gostinho.

Até ontem de manhã (ou melhor, antes de ontem já que hoje já é amanhã - confuso!) eu não sabia se eu iria ou não ver a banda. Os motivos da minha indecisão? Eram muitos. Confesso que na minha listinha os prós prevaleciam sobre os contras, mas quem me conhece sabe que eu não sou boa para tomar decisões, por mais simples que elas sejam. Comprei num raríssimo impulso de determinação que eu espero se repita mais vezes na minha vida.

Enfim, toda essa história para dizer que depois de uma minissérie mexicana (não chegou a ser uma novela) comprei meu bilhete premiado, meu cupom da sorte, e quinta que vem vou me embrenhar na multidão com as minhas lindinhas para ver os inglesinhos de perto!

Bom, como esse post não podia deixar de ter uma trilha sonora, aí vai a minha música favorita. Ou melhor, uma delas. Porque como diz a Biazélda "ô banda para fazer música boa".

STARLIGHT


"You electrify my life"

E que chegue a quinta-feira e com ela muitos outros acontecimentos inesperados!

segunda-feira, 7 de julho de 2008

Eu quero....


...muito que esse filme estréie logo!!!

sexta-feira, 27 de junho de 2008

New York falls

Achei linda essa instalação que foi inaugurada hoje lá em Nova York. No total são quatro quedas d'água gigantes espalhadas pelos rios que envolvem a ilha de Manhattan. A cachoeira na foto aí de cima fica logo embaixo da Brooklyn Bridge.

A nova decoração da Big Apple vai durar até o dia 13 de outubro. Eu queria ver!

E tem mais um montão de fotos das cachoeiras nova-iorquinas.

terça-feira, 24 de junho de 2008

A família de Rani

Era uma vez um homem chamado Ram Singh Munda. Ele morava na Índia com sua esposa e sua filha Dulki. A família de Munda vivia em uma tribo na floresta indiana. Um dia sua esposa faleceu e a filhinha de apenas quatro anos ficou inconsolável. Um ano depois, em uma de suas incursões pela mata, ele encontrou uma ursa filhote, que assim como sua filha, era órfã. Ele decidiu levá-la para casa e criá-la como um animal de estimação. A ursa devolveu a alegria de sua filha e sobreviveu graças aos cuidados dos dois.


Essa poderia ser uma história muito feliz se não tivesse um desenrolar tão trágico. Depois de um ano com a ursa morando na casa de Munda, um jornal local decidiu fazer uma matéria sobre a família. A reportagem repercutiu entre as autoridades sanitárias da região e o homem foi preso por violar as leis de proteção à vida selvagem. A ursa mandada para o zoológico, onde se recusa a comer, e a criança foi enviada para um orfanato.

Hoje, até mesmo os ativistas ambientais pediram que o homem fosse libertado e que pudesse encontrar novamente o animal. Munda é analfabeto e vive em uma tribo, portanto não tem conhecimento das leis vigentes no país. E sabe o que é mais lindo dessa história? O nome escolhido por ele para batizar a ursa foi Rani, que significa Rainha.

Eu torço pela reunião da família de Rani.

sábado, 21 de junho de 2008

Os mafagafos da cozinha

Abri uma enciclopédia da cozinha brasileira e só então percebi que eu não conheço nada da culinária do país. Além dos tradicionais tacacá, tucupi, pequi e maniçoba que meus colegas de trabalho adoram tanto comentar e que eu não tinha idéia do que era até colocar no google, descobri outras milhões de palavras novas. Algumas delas digamos que um pouco difíceis de se pronunciar...

Efó – prato típico da Bahia, leva camarão seco, verduras como taioba, mostarda e língua-de-vaca (calma, é só uma planta!)

Munguzá – mingau feito com milho branco, açúcar, leite de coco, polvilhinho e canela, semelhante à canjica mineira. Além de tudo isso, tem o nome mais engraçado de se pronunciar!

Sapoti – fruta energética, de sabor doce semelhante ao do caqui. Mais comum na Paraíba.

Tiquira (foto) – Bebida destilada típica do Maranhão com teor alcoólico bastante alto. Feita do sumo da mandioca, água e açúcar, o produto final adquire coloração lilás, que vem da anilina ou das cascas de tangerina utilizadas na preparação

Sarnabi ou cernambi – molusco marinho que se faz ensopado com leite ou mexido com ovos e que também é utilizado no preparo de tortas.

Buriti – palmeira típica do Maranhão. Com as folhas se faz cestas e com as frutas doces e compotas.

Turu – molusco comprido encontrado em cascas de árvores nos mangues e consumido cru pelos catadores de caranguejo na região da Ilha de Marajó (ECA!).

Aviú (foto) – um micro camarão de água doce comum na Região Norte do país.

Algumas frutas da Região Norte: murici, mangaba, taperebá...

Agora o que eu acho mais engraçado é que você pode dizer: “tacacá leva tucupi preparado no tipiti”. Se você falar rápido e várias vezes equivale ao trava-línguas dos vários mafagafos

Tucupi – caldo extraído da mandioca brava.

Tipiti – instrumento para coar o caldo da mandioca

Tacacá – típico do Pará, é um tipo de caldo que leva tucupi, camarão seco e jambu (uma verdura que tem o poder de amortecer a boca...)

Ah, e o clássico Biribiri que eu também não conhecia.