No dia em que cheguei em Caraíva, achei que meus problemas com estradas estavam chegando ao fim. Dalí em diante, a chuva pararia e eu poderia continuar a viagem tranquilamente. Isso foi o que eu imaginei, não o que aconteceu. A nuvens pretas não sumiram do céu e todos me falavam que eu não conseguiria chegar a Corumbau de jeito nenhum com aquele tempo.
Insisti até o último minuto em ir de carro. Mas dando ouvidos aos locais e me lembrando da história da repórter que já tinha perdido o carro justamente nesse trecho, decidi optar por um transporte alternativo. Mas como eu poderia ir? Única opção... ir de bugue. Pela praia atravessaria apenas 12 quilômetros, já de carro o trajeto tinha mais de 100. Foi assim que, deixei metade da minha bagagem para trás e saltei em um buguezinho pilotado por um índio da aldeia pataxó vizinha a Caraíva. Chegando em Corumbau, mais uma travessia de canoa, mas dessa vez eu já estava acostumada...
O problema foi que a minha dificuldade com transporte não terminou por aí. Chegando em Corumbau, nem um mísero sinal de celular, e eu fui assuntar com o pessoal local onde era a minha pousada. Pelo que eu ouvi, ela estava a uns quatro quilômetros de lá. Ok, então preciso pegar um taxi, ou um moto-taxi, ou um bugue ou uma canoa... Acontece que não havia nenhuma dessas opções. Eu poderia bater de porta em porta e ver se alguém da vila de pescadores tinha uma moto para me levar até lá. Achei melhor não arriscar. Coloquei minhas havaianas na estrada e cheguei a pé (meio acabada por causa das malas) na pousada.
No trajeto todo da vila para a pousada, não parava de me perguntar como faria todas as visitas do dia seguinte sem carro. A solução veio quando o seu Dinho, dono da pousada que eu estava, disse que me levaria em sua moto. Passei o dia seguinte inteiro na garupa da moto do seu Dinho, tomando banho de lama quando um carro passava pela gente. A primeira coisa que eu disse para ele pouco antes da carona: “olha, o máximo que eu já andei de moto foi dar uma voltinha na garagem da minha irmã”. E a resposta: “então hoje você vai tirar esse atraso”.
quarta-feira, 8 de abril de 2009
Caraíva: um capítulo à parte
A novela da viagem para Caraíva começou um dia antes, quando liguei para confirmar minha reserva na pousada. Hospedagem garantida, do outro lado da linha a voz me perguntou: “Você já veio alguma vez para cá?”. Minha resposta negativa fez com que a dona da pousada me desse uma prévia de como seria minha manhã seguinte. “Olha, chegando aqui você deixa o seu carro no estacionamento, avisa quantos dias você vai ficar, atravessa o rio de canoa e aí você já está na vila.” Minha vontade imediata foi dar um berro de indignação e perguntar se ela tinha noção da quantidade de bagagens que eu tinha. Só a minha mala grande tinha mais de 30 quilos, como eu poderia atravessar o rio de canoa? Mas tudo que saiu da minha boca foi um abafado “ok, então até amanhã”.
Na manhã seguinte, acordei cedo já imaginando a maratona que teria de enfrentar. O dia estava nublado e logo no café da manhã o seu Karl (velhinho austríaco dono da pousada que eu estava, que parecia dar uma bronca a cada palavra que emitia) começou a me dizer que seria uma loucura enfrentar a estrada para Caraíva com aquele tempo chuvoso. A voz rouca e com forte sotaque me dizia que no caminho para lá eu encontraria muitas ladeiras esburacadas (pirambeiras, nas palavras dele) e que meu carro não passaria, só mesmo um 4X4. Mas eu não tinha escolha, não podia atrasar a viagem um só dia.
A estrada estava realmente ruim, mas nada que o meu carrinho não pudesse enfrentar. Quando cheguei a Caraíva, descobri que não somente teria de pegar a canoa como, do outro lado do rio, teria de pegar um taxi até a pousada. Mas como assim um taxi se não é permitida a circulação de carros na vila? Taxi por lá é uma carroça. Em vez de você pagar a “corrida”, em Caraíva você paga a “carroçada”. Depois de me equilibrar na canoa e trimilicar na carroça, cheguei a um lugar como nunca havia imaginado. A pequena vila tem energia elétrica há apenas dois anos e pelas ruazinhas de areia fofa (bem fofa mesmo, daquelas que é até difícil andar) só encontramos algumas poucas pessoas andando a pé e raras carroças levando turistas. O ritmo de quem vive lá é diferente, diferente do que quem vive em cidade grande consegue imaginar.
Luna, a cachorrinha da pousada que me acompanhou 24h, almoçou e jantou comigo, depois dormiu na porta do meu quarto
Caraíva é assim:



Malas viajadas:
Na manhã seguinte, acordei cedo já imaginando a maratona que teria de enfrentar. O dia estava nublado e logo no café da manhã o seu Karl (velhinho austríaco dono da pousada que eu estava, que parecia dar uma bronca a cada palavra que emitia) começou a me dizer que seria uma loucura enfrentar a estrada para Caraíva com aquele tempo chuvoso. A voz rouca e com forte sotaque me dizia que no caminho para lá eu encontraria muitas ladeiras esburacadas (pirambeiras, nas palavras dele) e que meu carro não passaria, só mesmo um 4X4. Mas eu não tinha escolha, não podia atrasar a viagem um só dia.
A estrada estava realmente ruim, mas nada que o meu carrinho não pudesse enfrentar. Quando cheguei a Caraíva, descobri que não somente teria de pegar a canoa como, do outro lado do rio, teria de pegar um taxi até a pousada. Mas como assim um taxi se não é permitida a circulação de carros na vila? Taxi por lá é uma carroça. Em vez de você pagar a “corrida”, em Caraíva você paga a “carroçada”. Depois de me equilibrar na canoa e trimilicar na carroça, cheguei a um lugar como nunca havia imaginado. A pequena vila tem energia elétrica há apenas dois anos e pelas ruazinhas de areia fofa (bem fofa mesmo, daquelas que é até difícil andar) só encontramos algumas poucas pessoas andando a pé e raras carroças levando turistas. O ritmo de quem vive lá é diferente, diferente do que quem vive em cidade grande consegue imaginar.
Luna, a cachorrinha da pousada que me acompanhou 24h, almoçou e jantou comigo, depois dormiu na porta do meu quartoCaraíva é assim:



Malas viajadas:
terça-feira, 7 de abril de 2009
segunda-feira, 30 de março de 2009
Frase do dia
Eu: Mas a estrada para Ponta do Corumbau é boa?
Dono de pousada muito prestativo: É só não mudar de marcha quando você estiver passando por um atoleiro que você chega lá!
Dono de pousada muito prestativo: É só não mudar de marcha quando você estiver passando por um atoleiro que você chega lá!
Trancoso in shots
quinta-feira, 26 de março de 2009
For the first time
Hoje eu vi pela primeira vez na vida:
- o Monte Pascoal
- Trancoso
- uma árvore de biribiri (siiim, existe e eu posso provar!!!)
>>Como a novela do biribiri começou
E já adorei... a minha cama com dossel
- o Monte Pascoal
- Trancoso
- uma árvore de biribiri (siiim, existe e eu posso provar!!!)
>>Como a novela do biribiri começouE já adorei... a minha cama com dossel
Balanço capixaba: a prova dos 9
Nove dias no Espírito Santo, entre Vitória, Guarapari e Jacaraípe, e o balanço geral de refeições é:
Número de dias: 9
Número de moquecas: 9 (sendo que 6 delas seguidas. Sim, seis refeições consecutivas em que o cardápio foi... moqueca)
Acho que eu comi badejo e camarão suficientes para mais de dois anos. E, sem dúvida, nesses 9 dias eu comi mais peixe e camarão do que se eu reunir tudo o que eu comi em anos anteriores. Compensei em pouco mais de uma semana o que não comi a vida toda.
A melhor de todas:
Número de dias: 9
Número de moquecas: 9 (sendo que 6 delas seguidas. Sim, seis refeições consecutivas em que o cardápio foi... moqueca)
Acho que eu comi badejo e camarão suficientes para mais de dois anos. E, sem dúvida, nesses 9 dias eu comi mais peixe e camarão do que se eu reunir tudo o que eu comi em anos anteriores. Compensei em pouco mais de uma semana o que não comi a vida toda.
A melhor de todas:
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