segunda-feira, 28 de abril de 2008

Nhoque nhoque

Estava fazendo uma pesquisa para o trabalho hoje e minha missão era descobrir a origem do costume de comer nhoque no dia 29 como uma forma de obter sorte e fortuna. Descobri que esta tradição é bem antiga, começou na Itália e chegou ao Brasil com os imigrantes.

Não acredito muito nessas simpatias e superstições, mas encontrei uma história muito bonitinha. Na verdade, existem algumas variações do conto que inspirou este costume, mas o enredo e a moral da história são iguais. Como gostei bastante, aí vai:

Diz a lenda que um nobre italiano, entediado com sua confortável vida, encheu um saco com moedas de ouro e saiu pelo mundo. Depois de muito tempo caminhando e gastando todo o seu dinheiro, ficou com a aparência de um mendigo. Cansado e sem dinheiro, bateu à porta de um casebre e pediu comida. O camponês que morava ali ofereceu um banho quente e um prato com uma massa feita com batatas - a única coisa que ele tinha para ofertar.

Durante o banho, o nobre encontrou uma última moeda de ouro em seu bolso. Depois de comer o nhoque com molho de tomate, ele escondeu a moeda sob o prato e seguiu seu destino. O camponês encontrou o dinheiro e a partir daí prosperou muito.


Não é bonitinha? É uma espécie de "A Bela e a Fera meets Robin Hood". Eu virei adepta do nhoque no dia 29. É muito provável que eu nem coma amanhã e nem no mês que vem, porque sempre acabo esquecendo que dia 29 é dia 29 e que dia 29 é dia de nhoque, mas apóio a comilança!

E também lembrei que hoje, dia 28 de abril, estou a exatamente um mês de completar 22 anos. Frio na barriga! E, como muitos acreditam, hoje estou entrando no meu inferno astral. Mas como não há uma historinha bonitinha por trás dessa superstição, eu vou fazer questão de ignorá-la! Só acredito nas simpatias ou superstições que sejam inspiradas em contos de fadas. É meu novo lema!

A apresentação que nunca aconteceu

Ainda bem que a gente não ficou aguardando a segunda apresentação do Générik Vapeur na madrugada de domingo. Acabo de ler no jornal que a performance foi cancelada pela PM.

Só espero que o cancelamento não tenha ocorrido só porque o carro que a trupe destrói no final da coreografia era pintado como uma viatura policial. Não acho que isso incitaria o público a destruir carros de polícia.


Aí vai a nota publicada na Folha de S.Paulo:

Grupo francês tem sessão cancelada
VALMIR SANTOS

Para a companhia Générik Vapeur, polícia impediu encenação; PM diz que houve "sugestão em comum acordo'
O secretário municipal de Cultura, Carlos Augusto Calil, admitiu que a polícia tomou um "susto" e disse que a ferida de 2007 ainda está aberta

Uma das atrações de artes cênicas mais aguardadas na Virada, a companhia francesa de teatro de rua Générik Vapeur teve cancelada a segunda apresentação de "Bivouac" (prevista para as 3h30 de ontem). Para os franceses, a Polícia Militar impediu a encenação. De acordo com a polícia, houve uma "sugestão em comum acordo".

Segundo o adido cultural da França em São Paulo, Philipe Ariagno, a PM implicou com a atuação do grupo, que atraiu centenas de espectadores na primeira sessão, às 21h30 de sábado. A apresentação alternou instantes de correria e concentração, em meio a efeitos de fogos de artifício, gelo seco e o agito da música tocada ao vivo. Os atores do grupo criavam uma espécie de coreografia com a multidão, ora erguendo latões, ora arrastando-os.

A outra sessão foi adiada, segundo o setor de comunicação da PM, porque havia receio de que alguém se machucasse. "O coronel sugeriu, em comum acordo com a organização, que não repetissem toda a performance em deslocamento porque, naquele momento, a concentração era muito grande", disse ontem, por telefone, a coronel Maria Aparecida de Carvalho Yamamoto, da Comunicação Social da PM. "Foi só uma sugestão. Em nenhum momento a PM impediu."

"Não dimensionamos bem a quantidade de gente e de carros [estacionados] no percurso. Quando acabou [a primeira sessão], imediatamente fui advertido [pela PM] de que teríamos de fazer modificações", disse o secretário municipal de Cultura, Carlos Augusto Calil.

A Folha apurou que o que mais incomodou o comando da PM foi a cena final, quando uma pirâmide de 102 latões foi derrubada e, por trás dela, surgiu um carro demolido, cuja pintura e a grafia "police" remetiam às viaturas de filmes hollywoodianos. Segundo Ariagno, a PM condicionou a segunda sessão à retirada da alusão à viatura e à execução do som apenas sob o viaduto do Chá. A companhia aceitou a primeira (a palavra "police" foi apagada), mas achou que a falta de som descaracterizaria completamente o espetáculo.

"A solicitação era para que tirassem o adesivo, porque era a simulação de uma viatura sendo destruída. Havia receio de que isso incitasse a população a fazer o mesmo em outros veículos", disse Yamamoto.

Calil, que tentou negociar com o comando da PM durante a madrugada, admite que a polícia tomou um "susto". "A ferida do ano passado ainda está aberta. Não podemos ser ingênuos para que a festa não tenha contaminações desnecessárias", disse, aludindo ao tumulto ocorrido em 2007 na Sé.